Ventos
Às vezes vejo esses vazios de vento que a casa varre pela porta aberta, vêm caminhando, em passos muito lentos, passos de gato e sua carência incerta, ventos que roçam as nossas canelas, e ainda balançam poltronas antigas, soprando ciscos das mesmas janelas, nas cristaleiras, nos umbrais e vigas: monções remotas — como são os retratos feitos à mão, de nossos bisavós —, ventos mais fortes, que derrubam pratos… Ventos que doem quando estamos sós: Eis este vento: foi-se, pela porta, e fez viver, milagre, a coisa morta.
Brian Belancieri.


